segunda-feira, 28 de março de 2011

Entrevista à Sra. Zulmira

           Como seria a Escola sem os nossos queridos auxiliares (novos técnicos operacionais)?
Nem conseguimos imaginar…

A funcionária mais antiga da EBSC

• Nome:
Zulmira Lopes

• Idade:
69 anos.

• Profissão:
Assistente técnica

• Onde vive:
Fajã Grande – Calheta



• Já teve outra profissão antes de vir trabalhar para a escola? Qual?
            Aquecer o forno para fazer bolos para baptizados e casamentos. Tive outra, dei cursos de bordados e costura.

• O que a motivou a vir trabalhar para a escola?
            O que me motivou (ainda agora estive a dizer à Fátima) a escola foi a melhor coisa que eu tive, que gosto e que vou para casa com muita saudade. Mas tenho de ir porque vou fazer setenta anos e em poucos meses vou-me embora. Mas nunca me recusei a nada, fiz sempre tudo, até já dei aulas de trabalhos oficinais quando faltava a professora. Ia para lá entretê-las e ensiná-las já que algumas nem sabiam pegar numa agulha, quando era no tempo de fazer os bordados e as malhas, mas gosto de tudo e faço tudo por gostar do meu trabalho e digo sempre “Eu não devo ao Estado, o Estado é que me deve”.

• Há quantos anos é que trabalha na escola?
          31 anos.

• Gosta da função que desempenha?
          Gosto sim.

• Dentro da escola, quais foram as funções que já desempenhou?
          Primeiro era tomar conta dos alunos, varrer as salas, a seguir fui para a cozinha. A Sra. Aurora era cozinheira nessa altura, teve de ir para a Terceira e assim fui para a cozinha, depois, já estive no ginásio, na fotocopiadora, nos livros de ponto. Eu já nem sei, já fiz de tudo dentro da escola, nunca me recusei, porque era tudo serviço da escola, é tudo serviço que compete a nós.

• E qual a função que mais gostou?
          De tudo, gosto de tudo, gosto de conviver, embora não me aceitem muitas vezes. Os alunos podem dizer que sou uma velha chata, que é só refilar, mas é porque gosto deles e do seu bem-estar.

• Há alguma situação engraçada que tenha acontecido na escola que queira partilhar connosco?
          Na minha altura quando a gente vinha para aqui éramos como uma família. A escola era pequena e a gente tinha sempre um truque qualquer, não havia a abundância que há hoje. Quando eu ia para o Jardim, trazíamos coisas de casa, uma trazia farinha, outra trazia o leite, outro trazia o açúcar, e ajudávamos uns aos outros, e eu ia ao ensaio da capela mais a Flora e vínhamos trabalhar à noite outra vez, não era para ganhar mais, era para ajudar a colega. Não é como hoje que ninguém quer ajudar um ao outro, tem de ter tudo escrito no papel, para dizer o que tem de fazer, aquilo e aquele outro. Naquela época não tinha e a gente ia fazer o serviço e era quarenta e cinco horas que tínhamos semanais e não trinta e cinco.

• O que acha da escola de hoje comparada com a de há vinte anos atrás?
          Totalmente diferente, começando pelos alunos. Os alunos eram muito aplicados, nos estudos, e nas horas vagas não iam para o chuto, sentavam-se ali as meninas a fazer malhas, ponto de cruz e os seus trabalhinhos, sentados no polivalente. Agora querem é estar no bem bom.

• O que melhorou na escola nos últimos anos?
           Melhorou muita coisa, está completamente diferente, só fala mal quem é de má-língua.
Vocês tiveram um tempo muito bom, se tivessem vindo há trinta e tal anos para cá como eu, iam ver as dificuldades que iam ter e agora têm tudo e não apreciam nada.
Acartar a água à mão para vocês beberem do chafariz do Sr. Padre, onde é agora as finanças, deitar nas casas de banho, acartar pelas escadas fora do jardim infantil para fazer a sopa.

• O que poderia vir a melhorar na escola?
           Vocês querem uma escola nova, mas contentem-se que eu quando fui à escola, era por cima da casa da professora, e nem sequer tínhamos casa de banho, nem pátios de recreio, a gente fazia tudo, era umas rodinhas, mas aprendia-se mais do que se aprende hoje. Eu saí da quarta classe a saber mais do que sabem hoje com o nono ano, se perguntarem quem foi o primeiro Rei de Portugal nem sequer sabem, e quem implantou a República não sabem.
Só se foi agora com a lufada de ar fresco, com os cem anos que vocês tenham sabido alguma coisa sobre a República senão, não sabem nada.

• Acha que existe alguma diferença entre os alunos actuais e os de há vinte anos atrás? Quais são as diferenças?
         Acho, que há abundância a mais, e a abundância torna as pessoas arrogantes e malcriadas. Eles eram uns miúdos que não tinham nada, quem é que hoje pegava numa maçã que está estragada de um lado, tira aquele pedacinho e come? Não, eles hoje em dia pegam numa maçã sã, dão-lhe uma dentada e deitam-na para o lixo. Nós quando estávamos no Jardim-de-infância tínhamos a fruta, toda contadinha, não havia ali para estragar, o que estava estragado, a gente tirava aqueles pedacinhos, metia na dispensa e eles no intervalo depois das aulas vinham lá pedir-nos. Eles iam partir pão era de fatia não havia papo-secos nessa altura, eles vinham ajudar a partir o pão para levar uma beirinha de pão, porque não havia bar, não havia nada, e não queriam passar fominha.

• Como pensa que será a escola no futuro?
          Para haver uma escola boa isto tem de mudar muito, começando por vocês que estão a fazer a entrevista, porque vocês são já um ponto.

• A seguir a si quem é o/a funcionário/a mais antigo/a da escola?
          O Paulino entrou uns meses antes de mim, a Celestina e a Gertrudes, a Mercês, a Maria Ângela.
• Tem algum conselho para dar aos alunos da escola?
          Respeitem os professores, porque eles já têm o seu curso e vocês é que precisam deles agora, e o respeito fica sempre bem. Respeitar os professores, embora não gostem da disciplina agarrem-se e vão ver que aquilo que não gostavam e que se agarraram é onde vão ter melhor nota. Sei isso por experiência.

Tomem nota!

                                                                                                           
      (Dina Sousa, Hugo Valente e Marina Relva)

Educação Empreendedora

           No passado dia 21 de Janeiro realizou-se na Escola Básica e Secundária da Calheta a I Feira de Empreendedorismo levada a cabo pelos alunos do 2º e 3º ciclos, pois são eles o futuro dos Açores e é neles que se deve investir com vista ao desenvolvimento da sociedade açoriana. Esta feira teve como principais objectivos despertar e incentivar nos professores e nos alunos o potencial empreendedor e a possibilidade de poder controlar o seu futuro, permitindo, a longo prazo, criar o seu próprio emprego e contribuir, simultaneamente, para a política activa de emprego e para a criação de riqueza na Região.
           Ao todo participam nesta actividade 28 grupos, a saber:
• Feira Nova (5º B)
• Loja Empreendedora (6º A)
• Guerreiros da Comida (7º A)
• As Manu (9º A
• Nós somos a Feira! (5º B)
• Sweet Star (6º A)
• Tuti frutti (7º A)
• Tríade (9º A)
• Feira do Dia (5º B)
• Havaianas (6º A)
• HotDogs in the School (8º B)
• Quarteto Fantástico (9º A)
• Joga e Ganha (5º A)
• Sweets (6º A)
• Os cinco artistas (7º A)
• Chocochantygirls (9º A)
• Banca dos Sonhos (5ºA)
• Listrin (6ºA)
• Doçaria Escolar (6ºB)
• Capi-Doce (8ºB)
• Divertidos porta-chaves (6ºb)
• Snack Espiritual (7ºA)
• Os 5 com comida e diversão (8ºB)
• Torna-te um vencedor (9ºA)
• O jogo da sorte (6ºB)
• Pipocaria (6ºB)
• Nail Butterfly (8ºA)
• Chocoempis (8ºA)
• Vem daí e remata! (8ºA)


            Com maior ou menor sucesso todos os participantes estão de parabéns pois apresentaram actividades criativas. Concluímos esta actividade foi deveras enriquecedora para os nossos jovens pois ficaram com uma perspectiva do que é empreender. Na nossa opinião é sempre bom investir no futuro sendo que esta actividade foi benéfica para todos nós.

(Ana Silva, Carolina Matos e Paula Cabral)


quinta-feira, 24 de março de 2011

Doenças sexualmente transmissíveis – SIDA ou HIV

Apesar, de ser um assunto muito abordado nos dias que correm, nunca é de mais relembrar os efeitos ou as formas de prevenir o aparecimento desta enfermidade, para a qual ainda não se descobriu a cura. No seguimento desta pesquisa descobriu-se alguns truques que ajudam a conviver com esta doença.
Consuma:
·          Carne, fígado, ovos, leite, frutos secos e outros alimentos com alto teor de calorias e proteínas para evitar a perda de peso e massa muscular;
·          Massa, arroz e outros amiláceos, legumes cozidos sumos e fruta em lata ou cozidas para obter as vitaminas e os minerais essenciais;
·          Pequenas refeições ao longo do dia.
Reduza:
·          Gorduras e alimentos integrais, que causem diarreia;
·          Café, chá e outras bebidas com cafeína, susceptíveis de causar diarreia e dificultar a absorção de alguns nutrientes.
Evite:
·          Alimentos crus ou mal passados, sobretudo marisco, ovos e carnes;
·          Bebidas alcoólicas, que podem agravar a diarreia e interferir na medicação.
      Ainda não foi descoberta a cura para a SIDA (síndrome de imunodeficiência adquirida), nem há qualquer dieta especial para pessoas infectadas pelo HIV, o vírus da imunodeficiência que provoca a doença. No entanto, uma boa alimentação evita ou adia a perda de peso e outras complicações.
              Os portadores assintomáticos do vírus devem adoptar um regime alimentar idêntico ao das pessoas saudáveis, mas com precauções acrescidas. Como o vírus ataca o sistema imunitário, existe uma maior susceptibilidade às infecções, intoxicações alimentares por salmonelas, campilobactérias e outras bactérias. Este tipo de infecção ocorre com mais frequência e maior gravidade nas pessoas com imunidade reduzida
Sintomas e progressão:
A manifestação inicial do HIV, presente em 50 a 70% dos casos, é semelhante a uma gripe ou mononucleose infecciosa e ocorre 2 a 4 semanas após a infecção. Pode haver febre, mal-estar, linfadenopatia (gânglios linfáticos inchados), eritemas (vermelhidão cutânea), e/ou meningite viral. Estes sintomas são geralmente ignorados, ou tratados enquanto gripe, e acabam por desaparecer, mesmo sem tratamento, após algumas semanas. Nesta fase há altas concentrações de vírus, e o portador é altamente infeccioso.
A segunda fase é caracterizada por baixas quantidades dos vírus, que se encontram apenas nos reservatórios dos gânglios linfáticos, infectando gradualmente. Nesta fase, que dura em média 10 anos, o portador é seropositivo, mas não desenvolveu ainda SIDA. Ou seja, ainda não há sintomas, mas o portador pode transmitir o vírus. Os níveis de T CD4+ diminuem lentamente e ao mesmo tempo diminui a resposta imunitária contra o vírus HIV, devido à perda da coordenação dos T CD4+ sobre os eficazes T CD8+ e linfócitos B.
A terceira fase, a da SIDA, inicia-se quando o número de linfócitos T CD4+ desce abaixo do nível crítico (200/mcl), o que não é suficiente para haver resposta imunitária eficaz contra invasores. Começam a surgir cansaço, tosse, perda de peso, diarreia, inflamação dos gânglios linfáticos e suores nocturnos, devidos às doenças oportunistas, como a pneumonia por Pneumocystis jiroveci, os linfomas, infecção dos olhos por citomegalovírus, demência e o sarcoma de Kaposi. Sem tratamento, ao fim de alguns meses ou anos a morte é inevitável. O uso adequado da Terapia Antiretroviral garante que o paciente sobreviva por um período mais longo, apesar de conviver com efeitos colaterais dos medicamentos.
Formas de contrair SIDA:
As três principais vias de transmissão do HIV são: contacto sexual, exposição a fluidos ou tecidos corporais infectados, como por exemplo a mãe para o feto ou criança durante o período após o nascimento. É possível encontrar o HIV na saliva, lágrimas e urina dos indivíduos infectados, mas não há casos registados de infecção por essas secreções e o risco de infecção é insignificante. O tratamento anti-retroviral em pacientes infectados também reduz significativamente sua capacidade de transmitir o HIV para outras pessoas, reduzindo a quantidade de vírus em fluidos corporais para níveis indetectáveis.
Prevenção:
Usar sempre preservativo nas relações sexuais, não partilhar agulhas, seringas, material usado na preparação de drogas injectáveis e objectos cortantes (agulhas de acupunctura, instrumentos para fazer tatuagens e piercings, de cabeleireiro, manicura). Além dos preservativos comuns, vendidos em farmácias e supermercados, existem outros, menos vulgares, que podem ser utilizados como protecção durante as mais diversas práticas sexuais. É, também, preciso ter atenção à utilização de objectos, uma vez que, se estiverem em contacto com sémen, fluidos vaginais e sangue infectados, podem transmitir o vírus.

Sabias que?
                 Muitos nutricionistas consideram os cogumelos campeões na luta contra a SIDA, em particular os cogumelos – shiitake. O lentinano, composto e presente nestes cogumelos estimula o sistema imunitário, ajudando os portadores desta doença.

História da ilha


Perante a dificuldade de encontrar informações, sobre a nossa ilha, decidimos fazer uma investigação acerca dos principais marcos históricos, como o descobrimento, o povoamento, a sociedade São Jorgense de meados do século XVI a XVII.



Descoberta:

Os arquipélagos dos Açores e da Madeira e as Ilhas Canárias já apareciam assinalados nos mapas do século XVI e, portanto, já eram conhecidas dos navegadores ibéricos e italianos. Desta forma, alguns historiadores atribuem aos Portugueses uma (re)descoberta ou um reconhecimento oficial da Madeira e dos Açores.
           Diogo Silves, em 1947, a mando do Infante D. Henrique, descobriu algumas ilhas do arquipélago dos Açores, que só seriam conhecidas, na sua totalidade, em 1952. Nesta altura os Açores eram completamente despovoados.

Povoamento:

É a partir da carta régia de 2 de Julho de 1439 que surgem as primeiras notícias, dignas de crédito, acerca do povoamento dos Açores. Através desta é que D. Henrique conseguiu licença para ocupar as ilhas já descobertas, entre as quais S. Jorge, onde foram lançadas ovelhas.

Aspectos geológicos, geográficos e climáticos:

Segundo consta no livro “A Ilha de São Jorge”, os Açores localizam-se na zona média do Atlântico Norte, entre os meridianos 25º e 31ºW e entre os paralelos 37º e 40º N. A meio deste arquipélago, ponto nevrálgico do globo terrestre nos aspectos geológico, geográfico e militar, situa-se S. Jorge, cuja superfície de 237,59 km² se alonga por cerca de 60 km.
            Esta ilha comprida e estreita, cume de cordilheira emergindo do mar, resultou da acção de três complexos vulcânicos, Topo, Manadas e Rosais, embora estes dois últimos mais recentes se estremem do interior pela falha geológica da Ribeira Seca.
            Assim, na direcção SE-NW, sucedem-se três acidentados planaltos com características bem diferenciadas cujas falhas mostram falésias gigantescas e abruptas na costa Norte, adoçando sensivelmente a Sul. O planalto oriental corresponde à parte mais antiga da ilha e apresenta uma crosta rugosa e inclinada a sul, aqui correndo algumas ribeiras de caudal permanente com origem na alta Serra do Topo. Mais elevados são os morros e picos que se erguem no planalto central, sobre a orla sul, ultrapassando em alguns casos os mil metros e descendo em extensa lomba até ao mar. O planalto ocidental constitui a parte de formação mais recente e os seus cones vulcânicos extintos raramente ultrapassam os quinhentos metros em terrenos pouco acidentados.
            O solo jorgense é, predominantemente, formado por basaltos de composição diversa, aflorando em alguns locais alguns morros de tufo. Na parte geológica mais antiga, entre o Brejo do Cordeiro de Santo Antão, há barros de espessura variada, por vezes superior a 10 metros. Os flancos da ilha estão cobertos por escórias vulcânicas, que formam depósitos na Fajã de João Dias, na Fajã dos Cubres, na Fajã da Caldeira, na Fajã de São João, na Fajã do Além e na Fajã dos Vimes. Desde Velas a Manadas, na encosta sul, encontram-se superfícies cobertas por antigos rios de lava, os conhecidos “mistério”, resultantes das erupções de 1580 e 1808. As ladeiras do Monte do Trigo e junto ao farol de Rosais revestem-se aqui e ali de alguma pedra - pomes. Nos vales profundos, cavados pelas ribeiras, formaram-se algumas férteis leivas de depósitos aluvionares.
              A latitude a que se encontra todo o arquipélago coloca-o na zona temperada, sendo a sua posição nitidamente oceânica, não sofrendo os efeitos directos das massas de ar continental como os outros arquipélagos atlânticos. Os ventos predominantes em todas as ilhas são de sudoeste, provocando chuvas intensas desde Outubro a Dezembro. De Janeiro a Março, o ar mais fresco proveniente de oeste, noroeste ou norte é causador também de precipitação abundante ou mesmo queda de neve nos picos mais altos ainda que muito esporadicamente. O aumento das sucessões anticiclónicas de altas pressões está na origem de recessão pluviométrica durante o período estival predominando então os ventos de NE. O relevo desempenha, no entanto, um papel muito importante na distribuição das chuvas e formação de nevoeiro em cada uma das ilhas. A precipitação aumenta natural e significativamente com a altitude. Em S. Jorge, os totais de pluviosidade são maiores nas vertentes mais extensas do centro da ilha. Surpreendentemente a Ponta do Topo beneficia também de chuva mais intensa do que a Ponta de Rosais.
               O ambiente jorgense, sobremaneira articulado e acidentado, na sua morfologia, por força da actividade vulcânica e da contínua erosão, devida aos fenómenos atmosféricos, à hidrografia e ao bater do mar, forneceu, de imediato aos primeiros povoadores, as principais sugestões toponímicas. Determinantes também, para o estabelecimento dos nomes dos diversos lugares, foram a cobertura vegetal, a textura e coloração do solo, a forma da exploração agrícola e os diferentes cultivos, bem como os nomes dos mais importantes povoadores e a religiosidade.
              A especificidade do solo vulcânico, as características deste clima instável, de Inverno pouco acentuado e retardado, a grande humidade, as chuvas abundantes mesmo no Verão e as variações térmicas de pequena amplitude, obrigaram à introdução de novos elementos na sabedoria tradicional dos primeiros povoadores que aqui se instalaram em meados de quatrocentos, provenientes do continente europeu. Todavia a adaptação foi rápida e cedo foram estabelecidos os períodos mais propícios às sementeiras, às podas, ao abate de árvores, às colheitas, às queimadas, à tosquia das ovelhas e à reprodução dos animais.

Sociedade:

No que diz respeito à sociedade de outrora, a comunidade São Jorgense inseria-se no modelo concelhio, reflectindo matizadamente a sociedade de Ordens, hierarquizada e corporativa em alto grau. A pirâmide era encimada pelos detentores dos poderes militar, administrativo, espiritual e económico: a pequena nobreza que controlava os mais prestigiados cargos e representava a sociedade envolvente, os clérigos que se assenhoravam dos segredos individuais, administrando os sacramentos e os grandes mercadores que emprestavam dinheiro e garantiam os movimentos de exportação e importação. No degrau imediato, situavam-se os lavradores abastados, os tabeliães e escrivães, eleitos amiúde para o desempenho de funções na gestão municipal. Depois, surgiam os artífices e pequenos rendeiros cuja fortuna depende acentuadamente dos sinais positivos ou negativos das conjunturas. Por último, a base alargada da pirâmide, aqueles que apenas dispunham da sua capacidade de trabalho, os serventes, os criados e até os escravos. Fora desta estrutura, deste mundo fechado, os marginais, foragidos às justiças e vagabundos alimentavam-se do que caçavam e roubavam.
Esta hierarquização social, fortemente estratificada, sobrepunha-se a uma outra divisão das comunidades, baseada na idade e no sexo: homens casados/solteiros, mulheres casadas/solteiras, com espaço de socialização diferenciados quer a nível do lar, quer da paróquia.
A mulher e a criança tinham um papel específico no seio desta sociedade.

Sistema político:
           
O sistema político adoptado foi a capitania - donatária. O rei concedia as ilhas a donatários que tinham por obrigação incentivar a exploração deste.
           Os capitães - donatários usufruíam de larga jurisdição civil e criminal, tendo também em sua posse inúmeros privilégios. Os donatários criam nas ilhas os cargos de capitães, dividindo-as em capitanias.
As aldeias, as paróquias e as vilas, formadas em S. Jorge, apresentavam, em meados de quinhentos, características marcantemente rurais, apoiadas numa grande estabilidade, que mantiveram até finais de seiscentos. A maioria dos jovens de cada geração procurava cônjuge na sua comunidade ou na vizinhança e era raro os que saíam deste espaço ou aqui chegavam. No entanto, deve considerar-se que as ligações matrimoniais entre aristocracias jorgenses, faialenses, graciosenses e terceirenses proporcionavam alguma mobilidade. Esta mobilidade acentua-se com a partida de marítimos para a faina piscatória longínqua e a chegada de artífices e trabalhadores sazonais.
No seio destas comunidades existia a nível concelhio, uma nítida hierarquização social, assente ainda nas bipartições, segundo o sexo e a idade, homens, mulheres e adultos/jovens.

Administração:

           A administração da ilha de S. Jorge correspondia a uma estrutura concelhia, ou seja, o representante era o capitão – donatário que juntamente com a Coroa manifestavam-se localmente, com evidência, no levantamento dos dízimos e outras imposições fiscais, no desbloqueio de verbas para algumas obras públicas e na moderação dos outros órgãos.
           Os corregedores, provedores da fazenda e os almoxarifes eram os seus principais agentes. Esporadicamente, em ocasiões especiais, quando a defesa do território ou a ordem eram postas em causa o rei podia enviar um delegado seu com atribuições especiais.
           O poder senhorial do capitão – donatário, também distante, manifestava-se na cobrança da redizima e outras rendas e no exercício da jurisdição intermédia, no âmbito das questões civis.

Economia:

Agricultura:
            A prática da agricultura em S. Jorge durante o século XVI e XVII iniciou-se com o arroteamento das superfícies cultiváveis.
Adaptou-se os terrenos ao cultivo do trigo, da vinha, à produção de plantas tintureiras como o pastel e a urzela (estes dois últimos produtos eram exportados para a Flandres). Também se desenvolveu a pesca, as manufacturas, o comércio, a caça, a criação de gado, a horticultura e a arboricultura.

Epidemias:

Mais tarde no século XVIII registaram-se alguns surtos epidémicos. Excepcionalmente, identificamos o desenvolvimento de singulares enfermidades, sobretudo, a lepra, sífilis, a peste, a varíola, a tuberculose e a epilepsia.
No decorrer dos decénios de 1740, 1750 e 1760, registou- se a propagação de muitas infecções em todo o arquipélago.
A sífilis, vulgarmente conhecida por mal gálico, alastrou-se também por todas as ilhas favorecida pela facilidade de contágio, resultante da prática da prostituição.
A propagação destas doenças deveu-se, principalmente aos agentes sanitários, às fomes e à precariedade da higiene, mas também à adversidade do clima que constituiu um factor determinante. No campo da higiene ressaltava a contaminação das águas de abastecimento público, o facto de se assistir à putrefacção de baleias nas costas insulares e também o consumo de carne de animais doentes.
Estas problemáticas ocorridas no campo da saúde explicavam-se através da carência de técnicos de saúde e a ineficácia dos curativos. A este nível tomaram algumas medidas de prevenção, por parte da administração local, que actuou no sentido de inspeccionar todas as embarcações, de modo, a reduzir os contágios. Também nesta altura verificou-se a implementação de uma política de sanidade e de combate à imundice, que favoreceu a disseminação de doenças. Procederam ao escoamento e limpeza das águas, construção de um sistema de drenagem, à obrigatoriedade de manter o livre curso da água, à verificação da qualidade da água dos poços e chafarizes, através da progressiva delimitação e de espaços para lavagem de roupa, alagamento do linho e alimentação do gado. A par destas medidas de prevenção, houve uma averiguação do cumprimento destes preceitos sanitários. A escolha deste cargo era normalmente, atribuída a olheiros que eram propositadamente nomeados para a limpeza de ribeiras, fontes, levadas e poços. Os infractores eram penalizados.
           
            Actualidade:
            
             Posto um pouco de lado a história, vamos falar do presente e daquilo que temos de melhor.
            Actualmente nesta ilha podemos encontrar uma variedade imensa. Vale a pena conhecer as fantásticas paisagens naturais e o património humano e arquitectónico desta magnifica Ilha, rodeada pelo vasto Oceano Atlântico, de geografia acidentada que propicia as deliciosas Fajãs, que tanto enriqueceu a paisagem.
            As localidades são maioritariamente rurais, de arquitectura típica, de alvenaria e basalto, com influências da região norte do continente, mas também Espanholas e da Flandres.
            A indústria Baleeira teve também forte importância nesta Ilha, como nas restantes do arquipélago, sobretudo em finais do século XIX e inícios do século XX, sendo importante fonte de rendimento um pouco por toda a ilha. Hoje em dia, na continuação desta tradição Baleeira,  existem diversas empresas que promovem a muito apreciada observação de Cetáceos, permitindo aprazíveis monumentos de lazer em pleno mar, contemplação de contacto com a natureza.
            Terra de tradição com solos férteis e pastagens verdejantes, encontra-se uma gastronomia típica, que reúne pratos únicos com a melhor carne, peixe, marisco, vegetais e também o Queijo de São Jorge e, claro, os doces conventuais. Muito afamados são os pratos confeccionados com amêijoas, sendo este o único local do arquipélago onde estas habitam.
            No artesanato, reinam as peças elaboradas nos tradicionais teares com as chamadas “colchas de ponto alto”, entre outras. Também merecem destaque outras peças feitas de materiais locais, seguindo técnicas ancestrais.

Despedida dos Finalistas

              Os Finalistas (2010/2011) da Escola Básica e Secundária Calheta irão dar início à sua viagem no dia 6 de Abril, com destino a Benidorm, em Espanha!
              Vem divertir-te, participando nos seus últimos eventos.
          
             No dia 26 de Março irão realizar um baile com o conjunto Gerações, que terá lugar na sociedade Recreio dos Lavradores, no Topo.
           
              Para a uma despedida em grande, os finalistas vão levar a cabo no dia 2 de Abril, no Centro Social Recreativo dos Biscoitos, um jantar que será servido com muitas animações, desde actuações de dança, de canto e de teatro. Para finalizar, ainda terá lugar um baile com a Banda Ocasião.
Esperamos por ti!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Animais



Infertilidade

            “ (…) Que caiba a culpa ao rei, nem pensar, primeiro porque a esterilidade não é um mal dos homens, das mulheres sim (…) ” (in Memorial do Convento)
A infertilidade é uma doença comum que não afecta só as mulheres, mas também os homens e, pode ser tratada com a ajuda de um médico.
A infertilidade é definida como a incapacidade para conseguir uma gravidez após, pelo menos, um ano de tentativas. Os especialistas não sabem identificar o porquê da subida da taxa de infertilidade nos últimos vinte e cinco anos, mas sublinham três factores: a emancipação da mulher, o que implica casamento e projecto para ter filhos, cada vez mais tarde; aumento das doenças transmissíveis sexualmente e uma quebra enigmática na produção de espermatozóides.
              Muitos casais pensam que a infertilidade é um problema da mulher, mas, na verdade, o homem tem exactamente a mesma probabilidade de ser infértil. Em 40% dos casos, o problema é do homem, em 40% é da mulher, nos restantes 20% a causa não é identificada ou ambos têm problemas.
Para melhorar a sua fertilidade, aqui ficam algumas dicas.
Consuma:
  • Uma dieta equilibrada, com muitos frutos e legumes, carne magra, peixe ou aves, pão integral, flocos de cereais e lacticínios magros.
Reduza:
  • Café e outras fontes de cafeína.
Evite:
  • Álcool e tabaco;
  • Peso a mais ou a menos.
(Maria Correia, Mónica Borges e Sara Santos)